Archive for Abril, 2010

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As noites infindáveis

Abril 30, 2010

Ontem fizemos um som bacana no Ventania. Bom tocar coisas como Stormy Weather, I just wanna make love to you e alguns Stones escolhidos a dedo. São Os Vigaristas com Roy Carlini na outra guitarra e Basanelli a segurar o contra-baixo. Jackson abrilhantou mais ainda as canjas moendo a guitarra. Vários amigos na área: Massao , Capeta e Flavinho Vajman dá umas canjas de fazer apreciadores de blues ficarem de cabelo em pé. Depois de um rango e umas caipirinhas chegamos de manhã em casa. Cansado, mas me sentindo bem. Ligo o celular que deixei por aqui e vejo uma mensagem engraçada do Marião:  “Vim ver o Lynyrd. Quando pedem pro Wata solar, adivinha…brasileirinho.”. De matar. Esse é o nosso guitarrista maluco da porra.  E abro meus emails e Montenegro me mandou seus poemas. Já li e ouvi diversas vezes. Mas continuam me pegando…

  Buquê de presságios

De tudo, talvez, permaneça

o que significa. O que

não interessa. De tudo,

quem sabe, fique aquilo

que passa. Um gerânio

de aflição. Um gosto

de obturação na boca.

Você de cabelo molhado

saindo do banho.

Uma piada. Um provérbio.

Um buquê de presságios.

Sons de gotas na torneira da pia.

Tranqueiras líricas

na velha caixa de sapato.

De tudo, talvez, restem

bêbadas anotações

no guardanapo.

E aquela música linda

que nunca toca no rádio.

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quarteirão

Aquele que pede informações

Apenas para não perder o costume

De estar sempre perdido

O sol que derrete no asfalto

Uma fita fora de rotação

A solidão partindo no ônibus lotado

Um velho bilhete esquecido num livro

Alguma espécie de espanto, quase

Um riso, ancorado no ainda não

Daquele que só depois do roubo se recorda

Que sujeitos estranhos rondavam o quarteirão

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Sons que faço na semana

Abril 28, 2010

E pra fechar a noite de sexta, ou tocar com meus brothers da ZONA BLUES no Ventania. Fica ali na R. Carinás, 92 em Moema. Perto do Shopping Ibirapuera, saca? Clássicos do blues feitos com devido respeito, capitaneados por Ed Blues no vocais. Marcão no baixo e Vitão na batera.

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Via blog do Chacal

Abril 27, 2010

E só numas de lembrar da praia…e embelezar o blog.

 

Lisbon Revisited

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Álvaro de Campos

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sozinho com todo mundo

a carne cobre os ossos
e colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homem bebem
demais
e ninguém encontra o
par ideal
mas seguem na
procura
rastejando para dentro e para fora
dos leitos.
a carne cobre
os ossos e a
carne busca
muito mais do que mera
carne.

de fato, não há qualquer
chance:
estamos todos presos
a um destino
singular.

ninguém nunca encontra
o par ideal.

as lixeiras da cidade se completam
os ferros-velhos se completam
os hospícios se completam
as sepulturas se completam

nada mais
se completa.

Charles Bukowski
(tradução de Pedro Gonzaga)

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 E na boa, nunca nenhum outro pianista de blues me impressionou tanto quanto esse cara: Jay Mc Shann. Tocou com Joe Turner, assim como Pete Johnson.

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Outro papo

Abril 27, 2010

Curto muito vários sons de folk music. Isso é de matar.

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Me deixe em paz! Só isso!

Abril 27, 2010

Evitando sair pra não beber nada depois de um fim de semana delicioso e sossegado em São Vicente. Em casa sozinho de bobeira,  tento assistir um pouco daquele gordo mala que atende pelo nick gay de Jô.  Já abre com Wagner Moura lançando um cd de rock. Meu deus…quanta merda que ainda vou ter que ouvir por aí até o dia da minha morte? Tive que vir pra essa lan-house vagabunda mas 24 horas limpar os ouvidos com um pouco de som autêntico e literatura visceral. Senão o sono não vem nunca.

Fica com isso aí e mande os Wagners Mouras pro inferno, porra!

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Stop, understand me

I’m ain’t afraid of ever lose faith in you…

If I’m acting crazy

If I’m just too proud

If I’m just playing lazy…

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eles de novo…e sempre…andava de bike pelas ruas de Campo Grande com um velho walkman ouvindo uma fita k7 dos caras e tentava sonhar…até conseguia. E os caras tinham o piano absuro de Chuck Leavell no primeiro play. Ele apostando nos novos garotos. Sabe quem é ele? Procura aí no google. Você vai gostar do que vai ouvir.

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e um trecho do Uivo de Ginsberg:

Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, 
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa 
“hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da
maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram
fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando
sobre os tetos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus Cérebros ao céu sob o
Elevados e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de
cômodos, que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra, que foram expulsos das universidades por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio, que se refugiaram em quartos de paredes de pintura
descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas de papel, escutando o Terror
através da parede. 

Que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo com um cinturão de marijuana para Nova York, que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam
terebentina em Paradise Alley, morreram
ou flagelaram seus torsos noite após noite 
com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília,
álcool e caralhos e intermináveis orgias, 
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e
clarão na mente pulando nos postes dos
pólos de Canadá & Paterson, iluminando completamente o
mundo imóvel do Tempo intermediário, 
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de
quintal com verdes árvores de cemitério, porre
de vinho nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio
na luz cintilante de neon do tráfego na corrida
de cabeça feita do prazer, vibrações de sol e lua e
árvore no ronco de crepúsculo de inverno de
Brooklyn, declamações entre latas de lixo e a suave
soberana luz da mente, 
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o
infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx
de benzedrina até que o barulho das rodas e crianças
os trouxesse de volta, trêmulos, a boca
arrebentada e o despovoado deserto do cérebro
esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do
zoológico, 
que afundaram a noite toda na luz submarina de
Bickford’s, voltaram à tona e passaram a tarde de
cerveja choca no desolado Fuggazi’s escutando o
matraquear da catástrofe na vitrola automática de
hidrogênio, 
que falaram setenta e duas horas sem parar do parque
ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao Museu
à Ponte de Brooklyn, 
batalhão perdido de debatedores platônicos saltando
dos gradis das escadas de emergência dos
parapeitos das janelas do Empire State da Lua, 
tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos e
lembranças e anedotas e viagens visuais e
choques nos hospitais e prisões e guerras, 
intelectos inteiros regurgitados em recordação total
com os olhos brilhando por sete dias e noites,
carne para a sinagoga jogada na rua, 
que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum
deixando um rastro de cartões postais
ambíguos do Centro Cívico de Atlantic City, 
sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas
nos ossos e enxaquecas da China por causa da
falta da droga no quarto pobremente mobiliado de
Newark, 
que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da
estação ferroviária perguntando-se onde ir e
foram, sem deixar corações partidos, 
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de
carga, vagões de carga que rumavam
ruidosamente pela neve até solitárias fazendas dentro
da noite do avô, 
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz,
telepatia e bop-cabala pois o Cosmos
instintivamente vibrava a seus pés em Kansas, 
que passaram solitários pelas ruas de Idaho procurando
anjos índios e visionários que eram anjos
índios e visionários, que só acharam que estavam
loucos quando Baltimore apareceu em êxtase
sobrenatural, 
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma no
impulso da chuva de inverno na luz das
ruas de cidade pequena à meia-noite, 
que vaguearam famintos e sós por Houston procurando
jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol
brilhante para conversar sobre América e Eternidade,
inútil tarefa, e assim embarcaram num navio
para a África, 
que desapareceram nos vulcões do México nada deixando
além da sombra das suas calças
rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas na
lareira Chicago, 
que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de
barba e bermudas com grandes olhos
pacifistas e sensuais nas suas peles morenas,
distribuindo folhetos ininteligíveis, 
que apagaram cigarros acesos nos seus braços
protestando contra o nevoeiro narcótico de tabaco
do Capitalismo…

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SACO DE RATOS HOJE

Abril 22, 2010

Mais uma noite que a gente mata uma garrafa de scotch. Saco de Ratos no Café Aurora. Sempre muito divertido…

“Saco de Ratos” é:

Mário Bortolotto : Vocal

Fábio Brum e Marcelo Watanabe : Guitarras

Fábio Pagotto : Baixo

Rick Vechione : Bateria

A partir das 24h00 no Café Aurora – Rua 13 de Maio, 112 – Bixiga – Tel : 3255-5564

Ingresso : R$ 5

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E amanhã Fabio Brum e Lu Vitaliano no Damis. Um som acústico. O bar fica na Rua dos Pinheiros, 220. Apareçam! 21hs.

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Abril 19, 2010

Well it’s been ten years and a thousand tears

Curto muito Social Distortion….mas não saco muito som…tava falando no MSN com meus comparsas de Tex Mex, Miguel e Zappa….eles me indicando uns vídeos….adoro esse som e a letra é a minha verdade também…
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And look at the mes I’m in-
A broken nose and a broken heart,
An empty bottle of gin
Well I sit and I pray
In my 54′ Chevrolet-
Well, I’m singin’ to myself
There’s got to be another way

[Chorus:]
Take away, take away
Take away this ball and chain
I’m lonely and I’m tired
And I can’t take any more pain
Take away, take away
Never to return again
Take away, take away
Take away this ball and chain

Well I’ve searched and I’ve searched
To find the perfect life-
A brand new car and a brand new suit
I even got me a little wife-
But wherever I have gone
I was sure to find myself there-
You can run all your life
But not go anywhere

[Chorus]

Well I’ll pass the bar on the way
To my dingy hotel room-
I spent all my money
I’ve been drinkin’ with the drag queens all afternoon-
I’ll wake there in the mornin’
Or maybe in the county jail-
Times are hard getting harder
I’m born to lose and destined to fail-