Archive for Janeiro, 2008

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Do velho…

Janeiro 28, 2008

os melhores geralmente morrem por suas próprias mãos
apenas para escapar
e aqueles que ficam pra trás
nunca conseguem compreender
por que alguem
iria querer
escapar
deles
(Bukowski)

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Amigo bebendo às 9 da manhã…

Janeiro 26, 2008

“Ele foi desidratado pela sua banda”….(se referindo há alguém anos ouvindo a gente como Bêbados Habilidosos) – Renato Cachopa

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Bebês

Janeiro 21, 2008

Há muito tempo atrás, uma namorada chegou dizendo que achava estar grávida.

Porra, eu adorava aquela mulher. Fiquei feliz de verdade… enquanto ela agia como se tivesse pego alguma doença venérea do pior cara da cidade…

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Janeiro 20, 2008

Desculpe, não há vagas. Hospício lotado.

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Esse texto é do brother bebum Marcelo Mendez. Não me acho bluesman….mas o cara escreve legal pra cacete…

Janeiro 17, 2008

LITTLE WALTER, FABIO BRUM E MUNDO MARAVILHOSO DOS DEUSES PAGÃOS.

Bluesman no Brasil só conheço um; Fábio Brum. O resto é datilógrafo de guitarra, contador de causo ou cuspidor de gaita. E porque afirmo isso com toda essa certeza e com essa convicção de fazer inveja aos sérios jornalistas que escrevem sobre política em suas muito bem pagas colunas? Simples…
Há um tempo atrás li numa ótima revista gringa (Que preciso te devolver Raquel. Em breve farei…) uma entrevista com Jimmy Witherspoon. Para quem não sabe, trata-se de um dos maiores cantores de blues da região do delta do Mississipi. Um homem que dedicou sua vida às raízes da verdadeira cultura americana. Cultura que passa bem longe da suntuosidade da Casa Branca. A garota que o entrevistava perguntou porque ele jamais quis aprender tocar uma nota de qualquer instrumento e o mestre respondeu o seguinte:
“… Oras, tocar blues é fácil. Qualquer um pode tocar. Agora eu quero ver nego cantar isso… Interpretar um Blues como se deve. Aí quero ver…”
Em tese é isso. Qualquer Zé Roela pode comprar uma guitarra fodona, aprender uns acordes e sair por aí perdido com pirotecnias e malabarismos virtuosos se dizendo tocador de blues ou que, “compôs” um blues. Enganará alguns babacas, conseguirá uma babação de ovo de outros tantos, será super star do boteco classe média tocando todas as quintas, mas jamais chegará perto da essência da coisa por uma simples razão; Não tem paixão.
Porque Blues é algo que vai além da música. É um estado supremo, divino que extrapola tudo isso. É o veneno que cura a dor. E para entender isso tem que ter sentimento. Precisa conhecer o mundo, a vida, os guetos, os pardieiros, o amor e as dores do mesmo. Precisa saber das benesses que podem existir num vômito em um banheiro sujo na alta madrugada de um duvidoso boteco, de uma improvável cidade qualquer. Um lugar que só existe para aqueles que sabem apreciar a última gota da garrafa de uísque comprado a parcas moedas.
Antes que me falem, adianto-me em dizer que isso não é uma via de regra. No universo do blues elas não existem. Um grande blues só pode ser tocado por aqueles que vivem na exceção da vida. Entendam como quiserem. Fato é que meu amigo Fábio, até hoje, nos meus jovens 35 anos de vida, além de ser um puta guitarrista, foi o único Bluesman que encontrei porque seu coração filtra um sangue composto por tudo isso que relatei. O encontrei no Festival de Inverno de Paranapiacaba, otimamente realizado pela Secretaria de Cultura da minha Santo André. Bem, eles até que fazem alguma coisa bem feita vez em quando…
Cheguei na cidade histórica do Festival e encontrei o Fábio logo na entrada da cidade. Sempre bem humorado, de bem com a vida na medida do possível, me deu um abraço, contou-me de seus projetos musicais, do barato que era tocar rock na roll dos anos 50 com uma nova banda que estava acompanhando e riu da minha cara quando recusei um gole da sua lata de Skol. Recomendou-me que se a intenção era ir para o céu que esquecesse. “Seu lugar no inferno sempre foi cativo, brother…” Sorri. Em seguida aceitei o convite (Que jeito…) para tomar um chope escuro no Apiácas e por lá começamos nossa saga etílica. Falei que havia ido para assistir o show do Paulo Moura e a muito custo o convenci de ir comigo. Companhia agradável o cara. Nos animamos com a conversa e com 15 minutos de show do mestre, um educado segurança veio em nossa direção pedindo para que falássemos um pouco mais baixo porque estávamos atrapalhando o show. Bem… Não discutimos, mas também não ficamos para acompanhar o show. Um lugar onde dois amigos não podem conversar alegremente não pode ser um bom lugar.
A idéia a seguir era procurar uma mostra de filmes que seria exibida. O problema é que nem eu nem ele sabíamos onde rolaria o raio da Mostra e nos perdemos pela cidade. Só pra variar, no meio do caminho encontramos um bar. E cá entre nós, não há no mundo lugar melhor para perdição do que um bar…
Aquele, não era chique como os outros que abasteciam o Festival. Uma garagem improvisada, com mesinhas de lata e banquinhos de madeira meio moles. O dono era o pai, quem atendia era as filhas, a decoração era rústica, mas a acolhida foi a melhor que encontramos. Porque um bom bar é aquele que te deixa à vontade e não, aqueles, nojentamente limpos, high tech, cheio de frescuradas, onde você tem até receio de mijar. Mais uma para vocês…
Enchemos a cara dionisiacamente numa conversa regada a rock and roll e gargalhada. A certa altura falávamos da vida. Fabio tirava onda das minhas bem sucedidas desventuras amorosas. Disse-me para aproveitar a fase porque quando viesse a seca, talvez só me sobrasse um balcão de bar para afogar minhas futuras dores de pequeno burguês mal amado. Dei risada e respondi que não era bem assim, que também tinha lá meus pesares e que vez por outra, perdia minhas noites de sono pensando no meio das pernas de alguma musa que insistia em não me convidar para tal idílio. Nessa hora, ele bebeu um gole de cerveja, olhou para mim e disse:
“Meu caro amigo, você não sabe o que é arrebentar a cara no fundo de um poço vazio. Sei do que tu dizes. Mas você não sabe desse lodo, não. Você até esteve na borda, andou em volta do poço. Mas lá dentro tu não foi, cara. Um dia você vai! Aí a gente toma mais um porre e tu me conta…”
Continuamos a cachaçada com a mesma alegria, até as 23:00h quando nos despedimos essa frase ficou na minha cabeça; “O gosto do fundo do poço”. Não encarei obviamente como uma praga do meu amigo, mas refleti sobre a coisa toda. Como é viver no fundo do poço das emoções? O que seria um poema escrito lá? E que tipo de música poderia ser ali composta senão o Blues? E quem poderia retratar esse universo soturno de maneira lúdica, sincera e criativa? Não sei (Nem quero saber…) se concluo corretamente a coisa, mas o nome que me veio à cabeça de maneira fulminante foi apenas um:
Little Walter.
Poderia começar a falar dele como todo mundo faz. Dizendo onde nasceu, de onde veio, como começou a carreira e blá. Blá, blá… Ou senão, afirmar sem nenhum medo que se trata do maior gaitista de todos os tempos, não por ter um leque de virtuosismos faraônicos que tem, muitos outros grandes nomes da gaita. É o maior de todos porque jamais ninguém criou ou improvisou como ele. Talvez sem Walter, nem existisse esses virtuosos aos quais me refiro. Enfim… Dane-se a forma correta de começar o texto. Prezo por isso sim, mas, esqueceram-se? Falamos de Blues. Aqui o universo é outro. As leis são outras e os senhores estão convidados ou não para freqüenta-lo ao longo dessas laudas. E é o seguinte…
Eu até vou contar que ele nasceu em 1930, na Louisiana. Que com seis anos começou tocar gaita, com doze largou a escola e com catorze já acompanhava Sonny Boy Willianson e aos dezesseis, mudou-se para tocar nas ruas de Chicago em troca de gorjetas. E toda vez que se fala sobre um músico de Blues é a mesma coisa. Parece um padrão. Agora só falta-me falar que ele passou fome, viveu na miséria, que sofria preconceito, que não tomava comunhão aos domingos e nem tinha plano de saúde. Oras…
Little Walter foi um dos maiores nomes da musica americana. Chegou no circuito dos grandes nomes do Blues através de Big Bill Bronzy. Daí acompanhou Menphis Slin, Tampa Red, Bukka White e outros. Em 1948 conhece Muddy Waters e aí começa a catarse. Na banda de Muddy, Walter colocou toda a sua capacidade de improviso, criatividade e foi um dos responsáveis pela eletrificação do som do Mestre. Pelo selo CHESS, lançaram discos maravilhosos que pontuariam toda uma geração de jovens músicos que surgiriam nos EUA. Alguns deles? Dois; Elvis Presley e Jhonny Cash. O novo andamento dado ás musicas, a aproximação com o Country, deram boas dicas para moldar o que mais tarde conheceríamos como Rock and Roll. O embrião está todo no seminal disco de 1950, “You’re Gonna Need My Help I Said“. Como diria meu amigo Fabio Brum; “Disco pra ouvir de joelho e com uma garrafa de Dimples…”
Fez sucesso. Em 1952, Walter sai em carreira solo. Sua carreira decola, a popularidade vai a mil e começa a colher frutos. Sai em turnês pela Europa, passa a ser reconhecido por grandes nomes do mainstreman da época e em 1957 faz um show antológico no Teatro Apolo de Nova York, além de gravar um discaço com Otis Rush. Agora… De que adianta continuar aqui discorrendo todos os méritos de um homem que virou a musica de um país do avesso, com criatividade e um oceano de talento? Quem se importará?
Afinal de contas, em 1958 ele teve sua carreira abreviada após morrer numa briga de boteco. Apanhou, tomou porrada até morrer porque quando ficava bêbado se tornava um mala insuportável. É impressionante…
O fã de blues é mórbido.
Pouco importa o que o cara fez, o que ele produziu, o quanto o desgraçado teve que trabalhar; O que vale é o quanto o peão sofreu! Não percebem que essa ótica, ela sim, é preconceituosa, clichê e babaca. Uma puta de uma sacanagem para se vender mitos, estórias mal contadas e idiotices que impedem que a luz seja focada para o que realmente interessa. Transforma em “derrotados”, homens que deixaram obras concisas, fortes e de qualidade. E de que derrota estamos falando? Lembra do começo desse texto?
Não estamos falando do mundinho cartesiano, careta, oligárquico da classe-média nojenta que paga os tais formadores de opinião. Falamos de Blues. Aqui nesse mundo não interessa o que nego faz ou deixa de fazer quando toma um ou dois uísques a mais. Até porque ninguém pagou por nenhum desses tragos e cada um que segure sua onda. No universo que falo a vocês, importa o que o cara realiza como homem, como artista, como músico, como paixão. Aqui, vale a insana e deliciosa experiência de viver a vida de maneira intensa, como se todo dia fosse o último.
Vale transar com aquela mulher, como se fosse a última a ser vista ao luar, ou ao sol do meio dia como disse o outro poeta. Porque nu ao sol do meio, só pra quem está pronto para o amor, disse ele também. Aqui não pode ser teórico, punheteiro do Baudelaire. Tem que viver na prática o que ele escreveu; “Encontrai encantos nas repugnâncias…”. Tirar poesia do lixo, arrancar do fígado uma música que não se quer compor, mas que se faz necessária. Chorar com uma nota de gaita, ou sorrir com um gole de cachaça vagabunda, sorvida como se a mesma fosse um Vinho montrachet. E talvez não seja preciso gastar tanta grana com uma garrafa de vinho para entender.
Basta ter coração. Só entender que uma dor de amor é tão santa, quanto à prestação do carro que uma meia dúzia acha fundamental para vida. Parem um pouco. Ouçam o lirismo e o estado lúdico de uma nota da guitarra do Fabinho Brum e caso não estejam muito ocupados, procurem conhecer Little Walter. Mas por favor:
Deixem o homem morto, em paz…
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Uns blues que a gente faz por aqui…

Janeiro 15, 2008

http://www.youtube.com/watch?v=zsftGtgYiMI

Ivan Marcio- Gaita e Voz

Rodrigo Mantovani – Baixo

Sandro Grineberg – bateria

Fabio Brum – guitarra

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Janeiro 15, 2008

As 4 da manhã ouço violões desesperados.Tristes, talvez.
Ou somente a alma falando de tristeza, sem propriamente senti-lá.
Assim sou eu na distância.
Desespero que por hora sufoca.
Mas é só respirar fundo para poder sentir a sua presença.
Que está em mim.

Por Sílvia Razuk